Depois de tantos show (mais de 400), os CDs, as temporadas... Sentiu medo do cinema? Foi bom ter medo outra vez?
Sim, foi bom. Foi como um desafio. É bom se animar a viver um desafio, sobre tudo, se o que você está buscando é a felicidade e algo que te traga alegria. O que aconteceu comigo foi acreditar que iria encontrar algo muito parecido com o que era na televisão. "Sim, há câmeras, há diretor, há protagonistas e eu vou dançar em algumas partes". Eu estava acostumada a gravar 17 cenas por dia e cheguei a ficar 12 horas para filmar as cenas. Tudo o que eu aprendi nesses anos, coloquei em prática no cinema.
O cinema representa um salto grande? É outra coisa considerando tudo o que você viveu?
Eu sempre fui muito inconsciente do que me aconteceu. E digo isso no melhor sentido dessa palavra. Ou seja, acredito que não ter sido tão consciente me fez estar assim como estou hoje: levando as coisas com tranquilidade. E não levar as coisas como "WOW!". Sim, isso acontece quando você se vê na tela de cinema. Quando filmávamos não era pra tanto. Ir a Madrid, ou em Paris ou na Holanda e se ver dublada em 84 idiomas... isso sim foi um choque.
Aliás, está aí o fato de abandonar a Violetta para sempre.
Foi a despedida de um projeto que marcou a vida de muitas pessoas e muitas gerações. Isso também me impactou. Entendi assim: "Ok, estou me despedindo com isso."
Como você definiria essa etapa de encerramento?
Definiria como uma etapa de crescimento, de amadurecimento, de me conhecer. Porque Violetta, não o personagem, o projeto a mim, obviamente tinha uma educação prévia... mas dos 14 aos 19 anos você forma uma personalidade, define tudo. O que aconteceu comigo, é que me formei como pessoa. Eu me criei com a Violetta. Pra mim, foi um colégio, o que eu deixei e fiz pela internet. Violetta era o meu colégio, era a minha escola. Foi uma etapa total e absoluta de saber quem sou, o que quero, de me formar profissionalmente.
Parece que você já tem tudo resolvido. Vantagens de ser uma estrela?
Sei que até o dia em que eu morrer, vou continuar me impressionando.
Como é crescer com essa fama?
É louco, mas eu gostaria que entendessem a ideia: sabe quando ensinas, por exemplo, idiomas a um menino muito pequeno, de 3 anos, e depois vê um menino que fala vários idiomas? E ele vê isso como uma coisa natural porque sua vida foi assim e não vê isso como uma loucura, porque foi assim ensinaram ele. Sempre me perguntam como. Comecei tão pequena... Fui ao colégio até os 14 anos e depois estudei pela internet, minhas amigas estão em carreiras universitárias, vão receber e assim vão começar a trabalhar profissionalmente e comigo aconteceu tudo isso aos 14 anos. Dez anos antes de tudo o que teria que acontecer. Levei tudo isso como uma coia natural, muito genuinamente. Vivia a vida brincando.
Esse era o filme que sonhava em fazer ou você gostaria de fazer outro tipo de filme? Era o filme que precisava desse personagem ou de você?
Bom, se está dizendo assim, de sonhar, todos sonham e eu continuo sonhando e quero fazer cinema. Foi mais que o filme que eu sonhei. Foi realmente grande. É gigante e precisou de muita gente para que isso fosse possível. Fazendo seu primeiro filme, você não espera que seja assim. É o filme que precisava para gerar essa mudança e finalizar essa etapa.
Que outro tipo de filme você gostaria de fazer?
Não tenho algo definido, mas sobre o estilo, eu gostaria de fazer drama. Adoraria algo do estilo do filme Diário de Uma Paixão. Ou algo de ação, de super heróis. De drama a algo super engraçado. Tudo me divertiria. Para mim, depende da história e de me sentir confortável.
O que acontece quando você pensa que, por exemplo, esse filme em anos estará em uma coleção de um fã da Disney ao lado de, por exemplo, A Dama e o Vagabundo ou ao lado de A Pequena Sereia?
É um pouco precipitado, não? E eu não tinha pensado dessa maneira. Pensar nas coisas assim, quando coloca muito valor, não sabe como reagir. Sim, estou feliz. Mas só? O que mais posso fazer? Como eu deveria raciocinar? Eu realmente aproveito e sou feliz. Aproveito meu trabalho e faço o melhor que eu posso sempre. Me esforço demais e agradeço a Deus por tudo o que ele me deu. Mas chega a um ponto onde se você está tão consciente, não sei se está tão bom.
Por que não está bom?
Você fica consciente de uma realidade que não é tão real. No dia seguinte acaba, porque pode acontecer de tudo isso acabar e sua identidade fica em um lugar em que não deveria estar. Entender que é a realidade, mas que isso é passageiro também.
Pensa que isso vai ser passageiro no seu caso?
Sei que tudo é possível. É uma possibilidade como tudo na vida. E eu levo isso naturalmente. Minha identidade não está na fama ou no dinheiro, ou só no trabalho. Sei que primeiro tenho outras coisas e outros valores que me enche muito mais o coração. Foi assim que meus pais me criaram desde pequena, é assim que levo minha vida.
Como foi, finalmente, se ver em uma tela de cinema? Deve ser algo impactante, sobre tudo considerando que sua imagem tinha circulado por todos os meios menos esse.
Foi muito emocionante. A verdade é que eu não esperava. É muito impactante para qualquer pessoa, porque desde que alguém nasce ou é pequenino, vai ao cinema ver filmes, e se ver ali, tão grande, enorme... É algo louco. Não é o mesmo que na televisão.
Muda a forma que você pensa como atriz?
Muda. As pessoas te vêem de outro lugar, mas muda a forma se pensar no trabalho. Se trabalha de uma forma muito mais profissional, mas delicado. Diferente do que é um show ao vivo ou na televisão. Além disso, era um: "Ah, ok. Se não gostei da primeira cena, posso fazer outra? E se não gostei da que fiz, posso fazer 84 vezes mais?". Eu não podia acreditar. Melhoram todas as áreas: o diretor pode te dirigir como quiser. Maquiagem, cabeleireiros ...todos têm mais tempo. Melhora tudo. Aprendi muito e cresci muito.
Essa mudança, essa revolução de abandonar a Violetta e agora ser Tini, foi difícil tomar essa decisão ou se ver finalmente aparecendo nas telas de cinema?
É tudo uma grande emoção. Tudo muito emotivo. O final de uma grande etapa e o começo de uma nova. Estar em uma tela de cinema. Estar me despedindo deste personagem que mudou a minha vida e que amo com todo o meu coração, e não só a mim, mas também a um monte de meninos/meninas que me acompanharam durante cinco anos. Tudo foi muito emocionante.
Tradução por: Team Tini Brasil









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