Aconteceu com você o mesmo que aconteceu com a Violetta no filme, de chegar ao final de uma turnê e se perguntar: e agora?
Claro. É como terminar o ensino médio. Há pessoas que desde muito pequenas, sabem o que querem ser. Bailarina, médica... Mas outros não têm tanta certeza. Obviamente no colégio você se educa, aprende, mas agora é o tempo de eu tomar as decisões por mim mesma. Sou uma pessoa que está exposta. Muita gente quer continuar me escutando e eu também quero isso. O que faço quero fazer bem.
Você decidiu muito rápido que queria ser cantora?
Quero ser uma artista que faz de tudo um pouco. Fico com vergonha de me chamar de artista, mas assim se entende melhor. Amo dançar, cantar, atuar, desenhar e gosto de escrever. Graças a Deus tenho a possibilidade e a oportunidade de fazer isso, e tenho que estar permanentemente agradecida porque você me vê, mas atrás de mim tem uma equipe gigante.
Você se despediu bem da Violetta ou te deu um pouco de tristeza?
Foi mais normal do que imaginam. Sou Martina Stoessel, sou atriz, meu pai se chama Alejandro e é uma pessoa que amo. Um produtor talentoso que trabalhou com muitos artistas de Argentina e antes de terminar este projeto, me dizia: "Bom, flaca, eu vi tanta gente que quando chegavam no final, entravam em depressão..." Há gente que quando de repente deixa de estar tão exposta e não falam tanto dela, isso a faz mal.
Seu pai se preocupa com você...
Claro. Estive tão exposta em todo o mundo, que meu pai tinha medo do que podia me acontecer. Óbvio, sou sua filha. Como meu pai não vai ter medo de que eu fique louca e de que eu tenha que ficar pelada para chamar atenção? Minha resposta foi: "Pai, minha identidade não está em ser cantora, em ser atriz e no que as pessoas falam de mim. Minha identidade está em outro lugar, em outros valores." Ser famosa é uma consequência do meu trabalho, mas o que me faz feliz, é o que eu fazia em minha casa: cantar e dançar sem que ninguém me visse.
Miley Cyrus é um claro exemplo de como se pode mudar a imagem bruscamente. Se sente pressionada ao saber que as meninas te imitam?
O que passou com ela foi uma loucura. Quando se é pequeno e não está nesse mundo artístico, de exposição da imprensa, muitas vezes você olha e copia. A mim aconteceu que eu via Patinho Feio e em muitas coisas eu imitava. Eu não me importo que muita gente tome exemplo do que eu faço. Sou muito cuidadosa, mas além de fazer pelas pessoas, sou cuidadora porque cuido do meu coração.
Suas fãs então tristes porque Violetta terminou. O que você sente ao ver-los chorar?
É algo que nunca vou poder entender completamente, mas também acontece comigo. Fui ver Celine Dion em Las Vegas e também chorei de emoção. Caíam as lágrimas quando eu a via cantando ao vivo, algo que nunca pensei que iria acontecer depois de ver tantos show e documentários. É forte. É raro.
Você trabalhou em Los Angeles com produtores de renome. Você também compôs?
Ainda não sei compor uma música. Sabia que para esse primeiro disco, precisaria da ajuda de muita gente, e foi assim. Estou feliz com o resultado. Essas pessoas compuseram para Beyoncé, Selena Gomez, Demi Lovato, Maroon 5... gente que admiro profissionalmente. E minha família, que já escutou as músicas, me disse que dá pra perceber que sou eu. Perceber que não há nada forçado.
Você disse que seu disco propõe uma viagem. Como é isso?
Acontece que, se estou escutando um CD e se da primeira a quinta música é tudo igual, pulo para outro CD. Por isso, queria ter no meu de tudo um pouco para que as pessoas que escutem, entrem numa viagem em que de repente podem estar deitadas em sua cama falando com uma amiga tranquilamente e é uma balada, e de repente você acorda para trabalhar às 7 da manhã e coloca uma música bem pra cima. E depois tem músicas para sair com seus amigos de noite, ou para estar na praia. Tem pop, tem baladas, tem hip hop, eletrônica...
Você se mudaria para Hollywood?
Acredito que não. Terei que voltar cada vez que quiser gravar um disco ou para planejar os show da turnê, mas meu lugar é Buenos Aires. Aqui estão minha família e minhas amigas da escola, de toda a vida. Suas mães me dizem que se lembram de quando tinha oito anos e roubava as maquiagens e os sapatos e começava a cantar. Minhas amigas são incríveis. Quando posso, levo elas em minhas turnês. As vezes me preocupa estar longe e não ficar por dentro do que acontece, mas elas me tranquilizam. Me dizem que mesmo que falte três ou quatro meses, cada vez que eu voltar, elas sempre vão estar.
Tradução completa por Martina Stoessel Brasil.



Nenhum comentário :
Postar um comentário